Clonação: Últimas Notícias


Há alguns dias um grupo de pesquisadores da Universidade de Hunan, no sul da China, anunciou que havia clonado onze embriões humanos. Segundo informou o “Coriere della Sera” (5.04.00), dos onze embriões, três começaram a se desenvolver. Não se publicou outras notícias sobre o estado dos embriões ou até que ponto tenham seguido em seu desenvolvimento. Segundo os cientistas o objetivo de sua investigação é usar a clonação como meio para produzir tecidos e órgãos humanos para os transplantes.
É a terceira vez que há notícias de experiências sobre a clonagem humana.  Em 1998, na Corea do Sul, cientistas na Universidade de Kyungee, Seul, conseguiram a clonação de um embrião humano, mas seu desenvolvimento foi suspenso quando ainda estava em fase inicial e só havia formado quatro células. Enquanto isso, em 1999 um cientista nos Estados Unidos conseguiu a clonação humana, suspendendo o desenvolvimento do embrião quando tinha 12 dias de vida.
Entretanto, na Itália anunciou-se que dentre de alguns meses o governo entrará com uma legislação para proibir a clonação do homem. Segundo informou “Avvenire” (04.03.00) a Ministra da Saúde, Rosy Bindi, declarou há tempos que queria esperar a aprovação da nova lei sobre fecundação artificial antes de encaminhar a proposta sobre clonagem.  Mas, uma vez que o processo da aprovação da lei sobre fecundação demorou muito, já não se pretende continuar aguardando. A lei sobre a clonação estará pronta em julho próximo, segundo o governo.  Além de esclarecer a situação sobre a possibilidade de clonar animais e estabelecer as regras para o registro de laboratórios e seus financiamentos.
Quanto à situação no Japão, o jornal “The Guardian” (08.03.00) informou que o governo propõe proibir pesquisas que têm por finalidade a clonação da pessoa. A proposta de lei, que será enviada ao parlamento antes do final deste mês, impõe multas e também a prisão para os cientistas que experimentem clonação do homem.  Um porta-voz do governo, Kimihijo Oda, declarou que a clonação da pessoa humana poderia ser uma ameaça à ordem social e à família.  Além disso, a lei reforça as regras sobre outras técnicas associadas com a clonação, como a divisão de óvulos já fertilizados. As medidas não são comuns no Japão, onde no passado a pesquisa científica foi regulada por meio de orientações administrativas e o do autocontrole por parte dos cientistas. O público japonês mostrou sua preocupação com os diversos experimentos no campo da clonagem e quando, em novembro passado, pesquisadores da Universidade de Tóquio anunciaram que usaram técnicas de clonação para criar “célula matriz” do homem, houve uma condenação geral nos meios de comunicação por esse fato.
No campo da clonação de animais o Japão é um dos líderes mundiais e logo esperam poder clonar vacas.
Apesar da proibição da clonação outros experimentos dos cientistas japoneses prosseguem. Segundo uma reportagem do “El País” (08.03.00) um grupo de cientistas da Escola de Medicina de Ashikawa (Hokaido, Japão) anunciou que havia transplantado, com êxito, tecido de ovários humanos para camundongos de laboratório. Com estimulação hormonal, esses tecidos transplantados se mostraram capazes de produzir óvulos humanos. Os pesquisadores pararam aí com o experimento, mas esperam, em colaboração com a Universidade de Utah, dos Estados Unidos, obter ovários de mulheres em situação de morte clínica para criar, mediante essa técnica, um banco de óvulos para serem usados por mulheres e casais estéreis. A equipe, dirigida pelo ginecólogo Akiyasu Mizukami, apresentará estes resultados oficialmente numa reunião da Sociedade Japonesa de Ginecologia e Obstetrícia que se realizará em Tóquio em 1°  de abril.
Os experimentos se realizaram em colaboração com a Universidade de Utah, entre abril de 1997 e março de 1999. Os cientistas obtiveram os ovários de três mulheres estadunidenses.  Os ovários se fragmentaram em mais de cem pequenos quadrados de dois milímetros de tamanho (os fragmentos de tecido ovariano têm capacidade autônoma de produzir óvulos) e foram transplantados em camundongos fêmeas. Os animais foram submetidos a um tratamento hormonal para estimular o tecido ovariano.  Duas semanas depois, os cientistas comprovaram que 61% dos fragmentos transplantados havia começado o processo de desenvolvimento de óvulos humanos. “Nesse momento decidimos parar a experiência, tal como estava previsto em nosso projeto”, explicou Kizukami. “Agora temos de decidir como podemos desenvolver os óvulos a partir dessa etapa”. Apesar da experiência ter sido abortada prematuramente, Mizukami se mostrou convencido de que há uma grande possibilidade de que a técnica possa ser usada para que os animais de laboratório produzam óvulos humanos em bom estado.
Obter esperma de doadores anônimos é muito fácil, mas doadoras de óvulos são mais escassas. O objetivo último da técnica de Mizukami é o de conseguir uma abundante fonte de óvulos humanos que logo possam ser fecundados e implantados a pedido de mulheres e casais estéreis. Para isso, a Universidade de Utah espera contar com ovários de mulheres em situação de morte clínica.  Porém, primeiro terá de esclarecer várias “questões éticas e clínicas”, tal como reconheceu Mizukami.